Dra. Nayara ZorteaOncologia Clínica · Santos/SP
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Diagnóstico8 min de leitura

Sintomas de câncer de mama: sinais que merecem atenção

Nódulo, alteração na pele, retração do mamilo: conheça os principais sintomas do câncer de mama, como fazer o autoexame e quando procurar um médico.

Dra. Nayara Zortea Lima

Dra. Nayara Zortea Lima

CRM 154553-SP · RQE 81432

24 de julho de 2026

O sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo (caroço) na mama ou na axila, geralmente duro, indolor e que não desaparece ao longo do ciclo menstrual. No entanto, o câncer de mama pode se manifestar de várias outras formas: alterações na pele, no mamilo, no formato da mama e até sintomas sistêmicos em estágios mais avançados. Conhecer os sinais e procurar avaliação médica precocemente aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz.

Principais sintomas do câncer de mama

Sintoma Como se manifesta Preocupação?
Nódulo na mama Caroço duro, geralmente indolor, fixo ou móvel Sim — investigar sempre
Nódulo na axila Caroço palpável na região da axila Sim — pode ser comprometimento linfonodal
Alteração no mamilo Retração (entrada), inversão recente ou descamação Sim
Secreção papilar Saída de líquido (especialmente sanguinolento) Sim
Alteração na pele "Casca de laranja", vermelhidão, retração Sim
Assimetria recente Uma mama mudou de formato ou tamanho Sim
Dor mamária Dor localizada e persistente Raramente é câncer, mas avaliar

Como o câncer de mama começa

O câncer de mama se origina nas células dos ductos (tubos que levam leite ao mamilo) ou dos lóbulos (glândulas produtoras de leite). Na fase inicial, o tumor é pequeno e não produz sintomas. Conforme cresce, pode formar um nódulo palpável ou causar alterações visíveis.

Tipos mais comuns

Tipo Origem Frequência
Carcinoma ductal invasivo Ductos mamários ~80% dos casos
Carcinoma lobular invasivo Lóbulos mamários ~10–15% dos casos
Ductal in situ Ductos (não invadiu tecido adjacente) Estágio inicial, não metastatiza
Inflamatório Linfáticos da pele Raro, mas agressivo

Subtipos moleculares

O câncer de mama não é uma única doença. Existem subtipos baseados na presença de receptores:

Subtipo Característica Tratamento-alvo
Luminal A Receptor de estrogênio positivo, baixa proliferação Hormonioterapia
Luminal B Receptor positivo, maior proliferação Hormonioterapia + quimioterapia
HER2 positivo Superexpressão do receptor HER2 Terapia anti-HER2
Triplo negativo Negativo para ER, PR e HER2 Quimioterapia; mais agressivo

Como fazer o autoexame

O autoexame ajuda a mulher a conhecer suas mamas e identificar alterações. Deve ser feito mensalmente, preferencialmente uma semana após a menstruação (ou em dia fixo para mulheres na menopausa).

Passo a passo

1. Frente ao espelho (observação):

  • Mãos na cintura: observe simetria, formato e pele.
  • Braços erguidos: observe se há retrações, alterações no mamilo ou na contour da mama.

2. Em pé (palpação):

  • Levante o braço direito, coloque a mão esquerda na mama direita.
  • Use as polpas dos dedos (não as pontas) para palpar toda a mama em movimentos circulares.
  • cubra toda a extensão: da clavícula à axila, do esterno à axila.
  • Repita no lado esquerdo.

3. Deitada (palpação complementar):

  • Deitada com um travesseiro sob o ombro, repita a palpação.
  • Esta posição espalha a mama sobre o tórax, facilitando a detecção de nódulos.

4. Verificação do mamilo:

  • Pressione suavemente o mamilo para verificar se há secreção.

O autoexame não substitui a mamografia. Ele é uma ferramenta de autoconhecimento corporal, não de diagnóstico.

Sinais que exigem avaliação médica imediata

Procure um médico prontamente se notar:

  • Nódulo novo (qualquer idade).
  • Nódulo conhecido que mudou de tamanho, consistência ou mobilidade.
  • Secreção sanguinolenta pelo mamilo.
  • Retração recente do mamilo.
  • Pele com aspecto de "casca de laranja" (edema com poros visíveis).
  • Vermelhidão ou calor localizado persistente.
  • Úlcera ou ferida na mama que não cicatriza.
  • Aumento de gânglios axilares.

Fatores de risco

Fator Detalhe
Idade Risco aumenta significativamente após os 40 anos
História familiar Mãe, irmã ou filha com câncer de mama (especialmente antes da menopausa)
Mutação genética BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco em até 70%
Exposição hormonal Terapia hormonal prolongada, menarca precoce, menopausa tardia
Estilo de vida Obesidade, sedentarismo, consumo de álcool
Densidade mamária Mamas densas dificultam a detecção e aumentam o risco
História pessoal Biópsia prévia com lesão proliferativa

Rastreamento: quando e como fazer

Idade Recomendação
40–49 anos Mamografia anual (especialmente com fatores de risco)
50–69 anos Mamografia bienal (recomendação do Ministério da Saúde); anual em muitos serviços
Alto risco Mamografia + ressonância magnética a partir dos 30–35 anos

Mamografia vs. Ultrassonografia

Exame Quando é preferido
Mamografia Rastreamento de rotina; detecção de microcalcificações
Ultrassonografia Mamas densas, mulheres jovens, complemento à mamografia
Ressonância magnética Alto risco genético, avaliação de implantes, casos selecionados

Câncer de mama no homem

Embora raro (cerca de 1% dos casos), o câncer de mama também afeta homens. Os sinais são os mesmos:

  • Nódulo palpável (geralmente atrás da auréola).
  • Retração do mamilo.
  • Ulceração ou alteração na pele.

Homens com ginecomastia (aumento da mama) ou história familiar devem ficar atentos a alterações.

A importância da avaliação precoce

Quando detectado em estágio inicial (tumor confinado à mama, sem comprometimento linfonodal), o câncer de mama tem taxa de cura superior a 90%. O tratamento pode incluir:

  • Cirurgia: tumorectomia (conservadora) ou mastectomia.
  • Radioterapia: complementar à cirurgia conservadora.
  • Quimioterapia: conforme subtipo e estágio.
  • Hormonioterapia: para tumores com receptor hormonal positivo.
  • Terapia-alvo: para tumores HER2 positivos.

O tratamento é cada vez mais personalizado, baseado nas características moleculares do tumor e nas condições individuais de cada paciente.

Se você notou qualquer alteração nas mamas ou precisa de orientação sobre rastreamento, agendar uma consulta é o passo mais seguro. Esclarecer dúvidas com um profissional é sempre melhor do que esperar.

Perguntas frequentes

Todo nódulo na mama é câncer?

Não. A maioria dos nódulos mamários é benigna (cistos, fibroadenomas). No entanto, todo nódulo novo deve ser avaliado por médico e investigado com exames de imagem.

Dor na mama é sinal de câncer?

A dor mamária (mastalgia) raramente é sintoma de câncer. Geralmente está relacionada a alterações hormonais, cistos ou tensão muscular. Dor persistente e localizada deve ser avaliada, mas na maioria dos casos não é câncer.

Com que frequência devo fazer a mamografia?

Para mulheres sem fatores de risco, a mamografia é recomendada bienalmente dos 50 aos 69 anos (Ministério da Saúde). Com fatores de risco ou recomendação do médico, pode ser anual e iniciada mais cedo.

Tenho história familiar. Quando devo começar o rastreamento?

Geralmente, recomenda-se iniciar 10 anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado, ou a partir dos 35 anos (o que ocorrer primeiro). Em casos de mutação BRCA confirmada, o rastreamento começa aos 25–30 anos com ressonância magnética.

Microcalcificações na mamografia significam câncer?

Não necessariamente. Microcalcificações são comuns e, na maioria das vezes, benignas. Agrupamentos com padrão suspeito (forma, tamanho e distribuição) é que podem indicar lesão precursora ou câncer inicial. A biópsia confirma.

Aviso importante

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.

Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos, SP. CRM 154553-SP, RQE 81432.

Sobre a autora

Dra. Nayara Zortea Lima

Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica

Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.

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