Como é feita a quimioterapia: passo a passo do tratamento
Quimioterapia é aplicada por via intravenosa ou oral em ciclos. Entenda como é feita a sessão, quanto dura, quantas são necessárias e o que esperar em cada etapa.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
A quimioterapia é feita em sessões, geralmente por via intravenosa (na veia) ou oral (comprimidos), organizadas em ciclos com intervalos de descanso para o corpo se recuperar. Cada sessão dura de alguns minutos a algumas horas, num centro de infusão, e o número total de sessões varia conforme o tipo de tumor, o estadiamento e o esquema escolhido pelo oncologista. A quimioterapia não é um procedimento doloroso em si — a maioria dos pacientes descansa, lê ou vê TV durante a infusão.
Como é feita a quimioterapia (passo a passo)
1. Preparo antes da sessão
- Exames de sangue recentes (hemograma, função renal/hepática).
- Às vezes medicação prévia (antiemética, anti-histamínica).
- Em alguns esquemas, hidratação venosa antes do fármaco.
2. Acesso venoso
- Aplicação em veia do braço (acesso periférico) ou por cateter semipermanente (Port-a-Cath, PICC) em tratamentos mais longos.
- O cateter evita punções repetidas e protege as veias.
3. Infusão do medicamento
- Dura de 15 minutos a algumas horas, conforme o fármaco e o esquema.
- O paciente fica em poltrona, acompanhado pela equipe de enfermagem.
- Algumas drogas têm cor característica (veja a "quimioterapia vermelha").
4. Observação e liberação
- Monitoramento de reações durante e após a infusão.
- Orientações de cuidados em casa (hidratação, sinais de alerta).
Quantas sessões de quimioterapia são necessárias
Não existe número fixo. Depende do tipo de câncer e do objetivo:
| Objetivo | Quando | Duração típica |
|---|---|---|
| Adjuvante | Após cirurgia, para evitar retorno | 3–6 meses |
| Neoadjuvante | Antes da cirurgia, para reduzir o tumor | 3–4 meses |
| Curativa | Em tumores quimiossensíveis | Variável |
| Paliativa/controle | Doença avançada | Contínua, por tempo indefinido |
Os ciclos costumam ser a cada 2 ou 3 semanas, com intervalo de recuperação entre eles.
Quimioterapia oral x intravenosa
| Característica | Intravenosa | Oral |
|---|---|---|
| Onde | Centro de infusão | Em casa |
| Frequência | Ciclos a cada 2–3 semanas | Doses diárias contínuas |
| Exemplos | Maioria das quimios clássicas | Capecitabina, temozolomida, alguns alvos |
A via oral exige disciplina e controle rigoroso, mas oferece conforto. A escolha é do oncologista.
Quimioterapia dói?
A infusão em si não dói — é como qualquer soro na veia. O incômodo maior costuma ser a punção do cateter. Já os efeitos colaterais da quimioterapia (fadiga, náusea, queda de cabelo) aparecem ao longo dos ciclos, não durante a sessão.
O que levar e fazer na sessão
- Documentos e carteirinha do convênio.
- Lista de medicações em uso.
- Algo para se distrair (livro, fones, tablet).
- Acompanhante, se possível.
Efeitos colaterais mais comuns
- Fadiga (cansaço que se acumula).
- Náuseas e vômitos (hoje bem controlados com antieméticos).
- Queda de cabelo (depende do fármaco).
- Risco de infecção (quando os glóbulos brancos baixam).
- Mucosite e alterações intestinais.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura uma sessão de quimioterapia?
Varia de 15 minutos a várias horas, conforme o(s) fármaco(s) e a hidratação necessária. A equipe informa o tempo previsto antes de cada ciclo.
Quantos dias depois da quimioterapia aparecem os efeitos colaterais?
Costumam surgir entre o 3º e o 7º dia após a sessão e melhoram antes do próximo ciclo. Cada esquema tem um padrão que o oncologista explica.
Quimioterapia é sempre intravenosa?
Não. Há esquemas orais (comprimidos) e também quimioterapia intratecal (no líquor) em casos específicos. A via depende do tumor e do fármaco.
Posso trabalhar durante a quimioterapia?
Muitos pacientes conseguem trabalhar, ajustando a rotina conforme a tolerância. Fadiga e risco de infecção em certos dias podem exigir folga.
Quem define o esquema de quimioterapia?
O oncologista clínico, com base no tipo de tumor, estadiamento, biomarcadores e condição do paciente. Para entender seu plano ou segunda opinião, agende uma consulta de oncologia clínica.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
