Imunoterapia: o que é, como funciona e efeitos
Imunoterapia é um tratamento do câncer que usa o sistema imunológico para combater o tumor. Entenda como funciona, quando é indicada e os efeitos colaterais.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
O que é imunoterapia?
Imunoterapia é um tipo de tratamento do câncer que utiliza o sistema imunológico do próprio paciente para reconhecer e destruir as células tumorais. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células em multiplicação, a imunoterapia ativa ou restaura as defesas naturais do organismo para que ele identifique o câncer como uma ameaça e o combata.
Nos últimos 15 anos, a imunoterapia revolucionou o tratamento de vários tipos de câncer, oferecendo resultados expressivos em tumores que antes tinham poucas opções terapêuticas, como melanoma metastático e câncer de pulmão avançado.
Como a imunoterapia funciona?
O sistema imunológico normalmente identifica e destrói células anormais, incluindo as cancerígenas. No entanto, algumas células tumorais desenvolvem mecanismos para "se camuflar" e escapar da ação do sistema de defesa. A imunoterapia atua desativando esses mecanismos de camuflagem.
O conceito de checkpoint imunológico
As células do sistema imunológico (linfócitos T) possuem "freios" naturais chamados de checkpoints imunológicos. Esses freios impedem que o sistema imune ataque os próprios tecidos saudáveis. As células tumorais aprendem a "apertar esses freios", desativando o ataque imunológico.
A imunoterapia com inibidores de checkpoint bloqueia esses freios, permitindo que o sistema imunológico volte a atacar o câncer. É como tirar o freio de mão de um carro que estava impedido de avançar.
Tipos de imunoterapia
| Tipo | Como age | Exemplos |
|---|---|---|
| Inibidores de checkpoint | Bloqueia os freios do sistema imune | anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe), anti-PD-L1 (atezolizumabe), anti-CTLA-4 (ipilimumabe) |
| Terapia celular (CAR-T) | Modifica células do paciente para reconhecer o tumor | Axicabtagueno, tisagenlecleucel |
| Anticorpos monoclonais | Proteínas que alvejam alvos específicos no tumor | Trastuzumabe, rituximabe |
| Vacinas oncológicas | Estimulam o sistema imune a reconhecer o tumor | Sipuleucel-T |
| Citocinas | Proteínas que ativam o sistema imune | Interleucina-2, interferon |
Para quais cânceres a imunoterapia é indicada?
A imunoterapia está aprovada e é utilizada rotineiramente para:
- Câncer de pulmão (não pequenas células, avançado).
- Melanoma (incluindo metastático).
- Câncer de rim (carcinoma de células renais).
- Câncer de bexiga (carcinoma urotelial).
- Câncer de mama (triplo negativo, subgrupo específico).
- Linfomas (Hodgkin e não Hodgkin).
- Câncer de cabeça e pescoço.
- Câncer colorretal (com instabilidade de microssatélites).
- Câncer gástrico (subgrupo específico).
A indicação depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tumor, estadiamento, biomarcadores (como PD-L1) e condição clínica do paciente.
Como a imunoterapia é administrada?
A maioria das imunoterapias é aplicada por via intravenosa (na veia), em sessões que duram de 30 a 60 minutos. A frequência varia:
- A cada 2 semanas (mais comum).
- A cada 3 semanas.
- A cada 4 semanas.
O tratamento pode durar meses ou até anos, dependendo da resposta do tumor e da tolerância do paciente. Em alguns casos, há formulações orais (comprimidos).
Quais os efeitos colaterais?
Por ativar o sistema imunológico, a imunoterapia pode causar inflamação em órgãos saudáveis. Os efeitos colaterais são diferentes da quimioterapia:
| Efeito colateral | Frequência | O que observar |
|---|---|---|
| Fadiga (cansaço) | Muito comum | Cansaço persistente |
| Erupções cutâneas | Comum | Vermelhidão, coceira na pele |
| Diarreia | Comum | Mais de 4 evacuações líquidas por dia |
| Hepatite imunológica | Pouco comum | Amarelecimento da pele/olhos |
| Pneumonite imunológica | Pouco comum | Falta de ar, tosse seca |
| Hipotireoidismo | Comum | Cansaço, sensibilidade ao frio |
| Diabetes | Raro | Sede excessiva, micção frequente |
Importante: qualquer sintoma novo durante o tratamento deve ser comunicado imediatamente ao oncologista. A maioria dos efeitos colaterais imunológicos é tratável se detectada cedo.
Imunoterapia ou quimioterapia: qual a diferença?
| Característica | Quimioterapia | Imunoterapia |
|---|---|---|
| Mecanismo | Mata células em divisão | Ativa o sistema imune |
| Seletividade | Menor (afeta células saudáveis) | Maior (mas pode afetar órgãos) |
| Efeitos colaterais | Queda de cabelo, náuseas, baixa imunidade | Inflamação em órgãos (pele, intestino, pulmão) |
| Duração do efeito | Cessa ao parar o tratamento | Pode manter resposta após o fim |
| Resposta | Mais rápida (semanas) | Mais lenta (meses) |
Em muitos casos, imunoterapia e quimioterapia são usadas em combinação para potencializar o efeito.
Quando a imunoterapia não é indicada?
A imunoterapia pode não ser adequada para:
- Pacientes com doenças autoimunes graves ativas (lupus, esclerose múltipla).
- Pacientes com órgãos transplantados.
- Tumores que não expressam os biomarcadores adequados.
- Gestantes (avaliar caso a caso).
- Pacientes com performance clínica muito comprometida.
A decisão final sempre cabe ao oncologista, após avaliação individual.
Conclusão
A imunoterapia representa um dos maiores avanços do tratamento do câncer nas últimas décadas. Ela oferece novas perspectivas para pacientes com tumores que antes tinham prognóstico desfavorável. No entanto, não é indicada para todos os casos, e a escolha do tratamento deve ser personalizada e decidida em conjunto com o oncologista.
Se você ou um familiar está enfrentando um diagnóstico de câncer e quer entender se a imunoterapia é uma opção, agende uma consulta com a Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos/SP.
Perguntas frequentes
Imunoterapia é melhor que quimioterapia?
Não existe "melhor" absoluto — são tratamentos com mecanismos diferentes. Em alguns tumores a imunoterapia é mais eficaz e duradoura; em outros, a quimioterapia ainda é a base. Muitas vezes são combinadas. A escolha depende do tipo e estágio do tumor.
A imunoterapia tem cura?
Em alguns casos de tumor metastático, a imunoterapia conseguiu respostas duradouras (anos de controle da doença), o que se aproxima de uma "cura funcional". Mas nem todos os pacientes respondem, e o acompanhamento contínuo é necessário.
Quanto tempo dura o tratamento com imunoterapia?
Varia: pode durar meses ou até alguns anos, dependendo da resposta e do tipo de tumor. A decisão de parar é individualizada, baseada na resposta e na tolerância.
Os efeitos colaterais da imunoterapia são perigosos?
A maioria é controlável se detectada cedo. Por isso, qualquer sintoma novo durante o tratamento deve ser comunicado ao oncologista imediatamente. A vigilância é parte essencial do tratamento.
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Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
