Imunoterapia: o que é, como funciona e efeitos
Imunoterapia é um tratamento do câncer que usa o sistema imunológico para combater o tumor. Entenda como funciona, quando é indicada e os efeitos colaterais.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
O que é imunoterapia?
Imunoterapia é um tipo de tratamento do câncer que utiliza o sistema imunológico do próprio paciente para reconhecer e destruir as células tumorais. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células em multiplicação, a imunoterapia ativa ou restaura as defesas naturais do organismo para que ele identifique o câncer como uma ameaça e o combata.
A imunoterapia pode fazer parte do cuidado em diferentes tipos de câncer. A indicação e as possibilidades de resposta dependem das características do tumor e da avaliação individual; nem toda pessoa com câncer se beneficia da mesma modalidade.
Como a imunoterapia funciona?
O sistema imunológico normalmente identifica e destrói células anormais, incluindo as cancerígenas. No entanto, algumas células tumorais desenvolvem mecanismos para "se camuflar" e escapar da ação do sistema de defesa. A imunoterapia atua desativando esses mecanismos de camuflagem.
O conceito de checkpoint imunológico
As células do sistema imunológico (linfócitos T) possuem "freios" naturais chamados de checkpoints imunológicos. Esses freios impedem que o sistema imune ataque os próprios tecidos saudáveis. As células tumorais aprendem a "apertar esses freios", desativando o ataque imunológico.
A imunoterapia com inibidores de checkpoint bloqueia esses freios, permitindo que o sistema imunológico volte a atacar o câncer. É como tirar o freio de mão de um carro que estava impedido de avançar.
Tipos de imunoterapia
| Tipo | Como age | Exemplos |
|---|---|---|
| Inibidores de checkpoint | Bloqueia os freios do sistema imune | anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe), anti-PD-L1 (atezolizumabe), anti-CTLA-4 (ipilimumabe) |
| Terapia celular (CAR-T) | Modifica células do paciente para reconhecer o tumor | Axicabtagueno, tisagenlecleucel |
| Anticorpos monoclonais | Proteínas que alvejam alvos específicos no tumor | Trastuzumabe, rituximabe |
| Vacinas oncológicas | Estimulam o sistema imune a reconhecer o tumor | Sipuleucel-T |
| Citocinas | Proteínas que ativam o sistema imune | Interleucina-2, interferon |
Para quais cânceres a imunoterapia é indicada?
A imunoterapia está aprovada e é utilizada rotineiramente para:
- Câncer de pulmão (não pequenas células, avançado).
- Melanoma (incluindo metastático).
- Câncer de rim (carcinoma de células renais).
- Câncer de bexiga (carcinoma urotelial).
- Câncer de mama (triplo negativo, subgrupo específico).
- Linfomas (Hodgkin e não Hodgkin).
- Câncer de cabeça e pescoço.
- Câncer colorretal (com instabilidade de microssatélites).
- Câncer gástrico (subgrupo específico).
A indicação depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tumor, estadiamento, biomarcadores (como PD-L1) e condição clínica do paciente.
Como a imunoterapia é administrada?
A via, a frequência e a duração dependem do tipo de imunoterapia e do esquema. Algumas formas são administradas pela veia; outras têm vias diferentes. Confirme a programação com o serviço responsável, sem usar um intervalo genérico como regra para seu tratamento.
Quais os efeitos colaterais?
Por ativar o sistema imunológico, a imunoterapia pode causar inflamação em órgãos saudáveis. Os efeitos colaterais são diferentes da quimioterapia:
Podem ocorrer cansaço, alterações na pele e inflamações em órgãos, entre outros efeitos. O tipo e o risco dependem do tratamento. Comunique sintomas novos ou em piora ao serviço e siga as orientações de contato e urgência fornecidas pela equipe. Não espere um número específico de episódios para relatar uma mudança.
Imunoterapia ou quimioterapia: qual a diferença?
São modalidades com mecanismos e indicações diferentes. Nenhuma é sempre superior, e combinações podem fazer sentido em situações específicas. A comparação das modalidades explica os conceitos sem propor uma escolha por tabela.
Quando a imunoterapia não é indicada?
A imunoterapia pode não ser adequada para:
- Pacientes com doenças autoimunes graves ativas (lupus, esclerose múltipla).
- Pacientes com órgãos transplantados.
- Tumores que não expressam os biomarcadores adequados.
- Gestantes (avaliar caso a caso).
- Pacientes com performance clínica muito comprometida.
A decisão final sempre cabe ao oncologista, após avaliação individual.
Conclusão
A imunoterapia representa um dos maiores avanços do tratamento do câncer nas últimas décadas. Ela oferece novas perspectivas para pacientes com tumores que antes tinham prognóstico desfavorável. No entanto, não é indicada para todos os casos, e a escolha do tratamento deve ser personalizada e decidida em conjunto com o oncologista.
Se você ou um familiar está enfrentando um diagnóstico de câncer e quer entender se a imunoterapia é uma opção, agende uma consulta com a Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos/SP.
Perguntas para levar ao oncologista
Organize o laudo completo e a proposta que recebeu. Pergunte qual característica do seu caso sustenta a indicação, como serão discutidos benefícios e riscos e qual canal usar para novos sintomas. Você não precisa interpretar biomarcadores sozinho antes da conversa.
Veja a comparação das modalidades. Se deseja discutir a proposta com outro profissional, conheça a segunda opinião, mantendo o acompanhamento e as orientações atuais.
Perguntas frequentes
Imunoterapia é melhor que quimioterapia?
Não existe "melhor" absoluto — são tratamentos com mecanismos diferentes. Em alguns tumores a imunoterapia é mais eficaz e duradoura; em outros, a quimioterapia ainda é a base. Muitas vezes são combinadas. A escolha depende do tipo e estágio do tumor.
A imunoterapia tem cura?
Não existe uma resposta universal. O objetivo e as possibilidades do tratamento dependem do tumor, de sua extensão e do caso. Controle da doença não é sinônimo de cura, e o acompanhamento continua necessário.
Quanto tempo dura o tratamento com imunoterapia?
Varia: pode durar meses ou até alguns anos, dependendo da resposta e do tipo de tumor. A decisão de parar é individualizada, baseada na resposta e na tolerância.
Os efeitos colaterais da imunoterapia são perigosos?
Alguns efeitos podem ser graves. Comunique sintomas novos ou em piora e siga o plano de contato e urgência do serviço de tratamento. Não suspenda ou altere medicamentos por conta própria.
Fontes de referência
Tem dúvidas sobre uma proposta de tratamento?
Uma segunda opinião pode ajudar a discutir os objetivos e as alternativas, com os documentos do seu caso. Mantenha o acompanhamento atual e não altere o tratamento por conta própria.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
