Dra. Nayara ZorteaOncologia Clínica · Santos/SP
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Tratamentos8 min de leitura

Imunoterapia: o que é, como funciona e efeitos

Imunoterapia é um tratamento do câncer que usa o sistema imunológico para combater o tumor. Entenda como funciona, quando é indicada e os efeitos colaterais.

Dra. Nayara Zortea Lima

Dra. Nayara Zortea Lima

CRM 154553-SP · RQE 81432

Publicado em 15 de julho de 2026Atualizado em 03 de outubro de 2026

O que é imunoterapia?

Imunoterapia é um tipo de tratamento do câncer que utiliza o sistema imunológico do próprio paciente para reconhecer e destruir as células tumorais. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células em multiplicação, a imunoterapia ativa ou restaura as defesas naturais do organismo para que ele identifique o câncer como uma ameaça e o combata.

A imunoterapia pode fazer parte do cuidado em diferentes tipos de câncer. A indicação e as possibilidades de resposta dependem das características do tumor e da avaliação individual; nem toda pessoa com câncer se beneficia da mesma modalidade.

Como a imunoterapia funciona?

O sistema imunológico normalmente identifica e destrói células anormais, incluindo as cancerígenas. No entanto, algumas células tumorais desenvolvem mecanismos para "se camuflar" e escapar da ação do sistema de defesa. A imunoterapia atua desativando esses mecanismos de camuflagem.

O conceito de checkpoint imunológico

As células do sistema imunológico (linfócitos T) possuem "freios" naturais chamados de checkpoints imunológicos. Esses freios impedem que o sistema imune ataque os próprios tecidos saudáveis. As células tumorais aprendem a "apertar esses freios", desativando o ataque imunológico.

A imunoterapia com inibidores de checkpoint bloqueia esses freios, permitindo que o sistema imunológico volte a atacar o câncer. É como tirar o freio de mão de um carro que estava impedido de avançar.

Tipos de imunoterapia

Tipo Como age Exemplos
Inibidores de checkpoint Bloqueia os freios do sistema imune anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe), anti-PD-L1 (atezolizumabe), anti-CTLA-4 (ipilimumabe)
Terapia celular (CAR-T) Modifica células do paciente para reconhecer o tumor Axicabtagueno, tisagenlecleucel
Anticorpos monoclonais Proteínas que alvejam alvos específicos no tumor Trastuzumabe, rituximabe
Vacinas oncológicas Estimulam o sistema imune a reconhecer o tumor Sipuleucel-T
Citocinas Proteínas que ativam o sistema imune Interleucina-2, interferon

Para quais cânceres a imunoterapia é indicada?

A imunoterapia está aprovada e é utilizada rotineiramente para:

  1. Câncer de pulmão (não pequenas células, avançado).
  2. Melanoma (incluindo metastático).
  3. Câncer de rim (carcinoma de células renais).
  4. Câncer de bexiga (carcinoma urotelial).
  5. Câncer de mama (triplo negativo, subgrupo específico).
  6. Linfomas (Hodgkin e não Hodgkin).
  7. Câncer de cabeça e pescoço.
  8. Câncer colorretal (com instabilidade de microssatélites).
  9. Câncer gástrico (subgrupo específico).

A indicação depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tumor, estadiamento, biomarcadores (como PD-L1) e condição clínica do paciente.

Como a imunoterapia é administrada?

A via, a frequência e a duração dependem do tipo de imunoterapia e do esquema. Algumas formas são administradas pela veia; outras têm vias diferentes. Confirme a programação com o serviço responsável, sem usar um intervalo genérico como regra para seu tratamento.

Quais os efeitos colaterais?

Por ativar o sistema imunológico, a imunoterapia pode causar inflamação em órgãos saudáveis. Os efeitos colaterais são diferentes da quimioterapia:

Podem ocorrer cansaço, alterações na pele e inflamações em órgãos, entre outros efeitos. O tipo e o risco dependem do tratamento. Comunique sintomas novos ou em piora ao serviço e siga as orientações de contato e urgência fornecidas pela equipe. Não espere um número específico de episódios para relatar uma mudança.

Imunoterapia ou quimioterapia: qual a diferença?

São modalidades com mecanismos e indicações diferentes. Nenhuma é sempre superior, e combinações podem fazer sentido em situações específicas. A comparação das modalidades explica os conceitos sem propor uma escolha por tabela.

Quando a imunoterapia não é indicada?

A imunoterapia pode não ser adequada para:

  • Pacientes com doenças autoimunes graves ativas (lupus, esclerose múltipla).
  • Pacientes com órgãos transplantados.
  • Tumores que não expressam os biomarcadores adequados.
  • Gestantes (avaliar caso a caso).
  • Pacientes com performance clínica muito comprometida.

A decisão final sempre cabe ao oncologista, após avaliação individual.

Conclusão

A imunoterapia representa um dos maiores avanços do tratamento do câncer nas últimas décadas. Ela oferece novas perspectivas para pacientes com tumores que antes tinham prognóstico desfavorável. No entanto, não é indicada para todos os casos, e a escolha do tratamento deve ser personalizada e decidida em conjunto com o oncologista.

Se você ou um familiar está enfrentando um diagnóstico de câncer e quer entender se a imunoterapia é uma opção, agende uma consulta com a Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos/SP.

Perguntas para levar ao oncologista

Organize o laudo completo e a proposta que recebeu. Pergunte qual característica do seu caso sustenta a indicação, como serão discutidos benefícios e riscos e qual canal usar para novos sintomas. Você não precisa interpretar biomarcadores sozinho antes da conversa.

Veja a comparação das modalidades. Se deseja discutir a proposta com outro profissional, conheça a segunda opinião, mantendo o acompanhamento e as orientações atuais.

Perguntas frequentes

Imunoterapia é melhor que quimioterapia?

Não existe "melhor" absoluto — são tratamentos com mecanismos diferentes. Em alguns tumores a imunoterapia é mais eficaz e duradoura; em outros, a quimioterapia ainda é a base. Muitas vezes são combinadas. A escolha depende do tipo e estágio do tumor.

A imunoterapia tem cura?

Não existe uma resposta universal. O objetivo e as possibilidades do tratamento dependem do tumor, de sua extensão e do caso. Controle da doença não é sinônimo de cura, e o acompanhamento continua necessário.

Quanto tempo dura o tratamento com imunoterapia?

Varia: pode durar meses ou até alguns anos, dependendo da resposta e do tipo de tumor. A decisão de parar é individualizada, baseada na resposta e na tolerância.

Os efeitos colaterais da imunoterapia são perigosos?

Alguns efeitos podem ser graves. Comunique sintomas novos ou em piora e siga o plano de contato e urgência do serviço de tratamento. Não suspenda ou altere medicamentos por conta própria.

Fontes de referência

Para conversar sobre o seu caso

Tem dúvidas sobre uma proposta de tratamento?

Uma segunda opinião pode ajudar a discutir os objetivos e as alternativas, com os documentos do seu caso. Mantenha o acompanhamento atual e não altere o tratamento por conta própria.

Aviso importante

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.

Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos, SP. CRM 154553-SP, RQE 81432.

Sobre a autora

Dra. Nayara Zortea Lima

Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica

Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.

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