Dra. Nayara ZorteaOncologia Clínica · Santos/SP
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Imunoterapia: o que é, como funciona e efeitos

Imunoterapia é um tratamento do câncer que usa o sistema imunológico para combater o tumor. Entenda como funciona, quando é indicada e os efeitos colaterais.

Dra. Nayara Zortea Lima

Dra. Nayara Zortea Lima

CRM 154553-SP · RQE 81432

Publicado em 15 de julho de 2026Atualizado em 04 de agosto de 2026

O que é imunoterapia?

Imunoterapia é um tipo de tratamento do câncer que utiliza o sistema imunológico do próprio paciente para reconhecer e destruir as células tumorais. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células em multiplicação, a imunoterapia ativa ou restaura as defesas naturais do organismo para que ele identifique o câncer como uma ameaça e o combata.

Nos últimos 15 anos, a imunoterapia revolucionou o tratamento de vários tipos de câncer, oferecendo resultados expressivos em tumores que antes tinham poucas opções terapêuticas, como melanoma metastático e câncer de pulmão avançado.

Como a imunoterapia funciona?

O sistema imunológico normalmente identifica e destrói células anormais, incluindo as cancerígenas. No entanto, algumas células tumorais desenvolvem mecanismos para "se camuflar" e escapar da ação do sistema de defesa. A imunoterapia atua desativando esses mecanismos de camuflagem.

O conceito de checkpoint imunológico

As células do sistema imunológico (linfócitos T) possuem "freios" naturais chamados de checkpoints imunológicos. Esses freios impedem que o sistema imune ataque os próprios tecidos saudáveis. As células tumorais aprendem a "apertar esses freios", desativando o ataque imunológico.

A imunoterapia com inibidores de checkpoint bloqueia esses freios, permitindo que o sistema imunológico volte a atacar o câncer. É como tirar o freio de mão de um carro que estava impedido de avançar.

Tipos de imunoterapia

Tipo Como age Exemplos
Inibidores de checkpoint Bloqueia os freios do sistema imune anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe), anti-PD-L1 (atezolizumabe), anti-CTLA-4 (ipilimumabe)
Terapia celular (CAR-T) Modifica células do paciente para reconhecer o tumor Axicabtagueno, tisagenlecleucel
Anticorpos monoclonais Proteínas que alvejam alvos específicos no tumor Trastuzumabe, rituximabe
Vacinas oncológicas Estimulam o sistema imune a reconhecer o tumor Sipuleucel-T
Citocinas Proteínas que ativam o sistema imune Interleucina-2, interferon

Para quais cânceres a imunoterapia é indicada?

A imunoterapia está aprovada e é utilizada rotineiramente para:

  1. Câncer de pulmão (não pequenas células, avançado).
  2. Melanoma (incluindo metastático).
  3. Câncer de rim (carcinoma de células renais).
  4. Câncer de bexiga (carcinoma urotelial).
  5. Câncer de mama (triplo negativo, subgrupo específico).
  6. Linfomas (Hodgkin e não Hodgkin).
  7. Câncer de cabeça e pescoço.
  8. Câncer colorretal (com instabilidade de microssatélites).
  9. Câncer gástrico (subgrupo específico).

A indicação depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tumor, estadiamento, biomarcadores (como PD-L1) e condição clínica do paciente.

Como a imunoterapia é administrada?

A maioria das imunoterapias é aplicada por via intravenosa (na veia), em sessões que duram de 30 a 60 minutos. A frequência varia:

  • A cada 2 semanas (mais comum).
  • A cada 3 semanas.
  • A cada 4 semanas.

O tratamento pode durar meses ou até anos, dependendo da resposta do tumor e da tolerância do paciente. Em alguns casos, há formulações orais (comprimidos).

Quais os efeitos colaterais?

Por ativar o sistema imunológico, a imunoterapia pode causar inflamação em órgãos saudáveis. Os efeitos colaterais são diferentes da quimioterapia:

Efeito colateral Frequência O que observar
Fadiga (cansaço) Muito comum Cansaço persistente
Erupções cutâneas Comum Vermelhidão, coceira na pele
Diarreia Comum Mais de 4 evacuações líquidas por dia
Hepatite imunológica Pouco comum Amarelecimento da pele/olhos
Pneumonite imunológica Pouco comum Falta de ar, tosse seca
Hipotireoidismo Comum Cansaço, sensibilidade ao frio
Diabetes Raro Sede excessiva, micção frequente

Importante: qualquer sintoma novo durante o tratamento deve ser comunicado imediatamente ao oncologista. A maioria dos efeitos colaterais imunológicos é tratável se detectada cedo.

Imunoterapia ou quimioterapia: qual a diferença?

Característica Quimioterapia Imunoterapia
Mecanismo Mata células em divisão Ativa o sistema imune
Seletividade Menor (afeta células saudáveis) Maior (mas pode afetar órgãos)
Efeitos colaterais Queda de cabelo, náuseas, baixa imunidade Inflamação em órgãos (pele, intestino, pulmão)
Duração do efeito Cessa ao parar o tratamento Pode manter resposta após o fim
Resposta Mais rápida (semanas) Mais lenta (meses)

Em muitos casos, imunoterapia e quimioterapia são usadas em combinação para potencializar o efeito.

Quando a imunoterapia não é indicada?

A imunoterapia pode não ser adequada para:

  • Pacientes com doenças autoimunes graves ativas (lupus, esclerose múltipla).
  • Pacientes com órgãos transplantados.
  • Tumores que não expressam os biomarcadores adequados.
  • Gestantes (avaliar caso a caso).
  • Pacientes com performance clínica muito comprometida.

A decisão final sempre cabe ao oncologista, após avaliação individual.

Conclusão

A imunoterapia representa um dos maiores avanços do tratamento do câncer nas últimas décadas. Ela oferece novas perspectivas para pacientes com tumores que antes tinham prognóstico desfavorável. No entanto, não é indicada para todos os casos, e a escolha do tratamento deve ser personalizada e decidida em conjunto com o oncologista.

Se você ou um familiar está enfrentando um diagnóstico de câncer e quer entender se a imunoterapia é uma opção, agende uma consulta com a Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos/SP.

Perguntas frequentes

Imunoterapia é melhor que quimioterapia?

Não existe "melhor" absoluto — são tratamentos com mecanismos diferentes. Em alguns tumores a imunoterapia é mais eficaz e duradoura; em outros, a quimioterapia ainda é a base. Muitas vezes são combinadas. A escolha depende do tipo e estágio do tumor.

A imunoterapia tem cura?

Em alguns casos de tumor metastático, a imunoterapia conseguiu respostas duradouras (anos de controle da doença), o que se aproxima de uma "cura funcional". Mas nem todos os pacientes respondem, e o acompanhamento contínuo é necessário.

Quanto tempo dura o tratamento com imunoterapia?

Varia: pode durar meses ou até alguns anos, dependendo da resposta e do tipo de tumor. A decisão de parar é individualizada, baseada na resposta e na tolerância.

Os efeitos colaterais da imunoterapia são perigosos?

A maioria é controlável se detectada cedo. Por isso, qualquer sintoma novo durante o tratamento deve ser comunicado ao oncologista imediatamente. A vigilância é parte essencial do tratamento.

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Aviso importante

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.

Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos, SP. CRM 154553-SP, RQE 81432.

Sobre a autora

Dra. Nayara Zortea Lima

Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica

Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.

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