Melanoma: o tipo mais agressivo de câncer de pele
O melanoma representa 4% dos cânceres de pele, mas é o mais letal. Conheça os tipos, sinais de alerta (regra ABCDE), fatores de risco e os avanços no tratamento com imunoterapia.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Origina-se nos melanócitos — as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Embora represente apenas cerca de 4% dos cânceres de pele, é responsável pela maioria das mortes por câncer de pele. A boa notícia: quando detectado precocemente, o melanoma tem taxa de cura superior a 95%. E mesmo em estágios avançados, os tratamentos atuais com imunoterapia transformaram o prognóstico.
O que é melanoma?
O melanoma é um tumor maligno que se desenvolve a partir dos melanócitos. Pode surgir em pele saudável, a partir de uma pinta (nevo) pré-existente, ou em áreas não expostas ao sol.
Diferente dos outros cânceres de pele (basocelular e espinocelular), o melanoma tem maior capacidade de invadir tecidos profundos e se espalhar para outros órgãos (metástases) se não for tratado precocemente.
Tipos de melanoma
| Tipo | Característica | Local mais comum |
|---|---|---|
| Melanoma de extensão superficial | Mais comum (70%); cresce horizontalmente antes de aprofundar | Tronco (homens) e pernas (mulheres) |
| Melanoma nodular | Cresce verticalmente desde o início; mais agressivo | Tronco, cabeça e pescoço |
| Melanoma lentigo maligno | Cresce lentamente; em áreas de exposição solar crônica | Rosto de idosos |
| Melanoma acral lentiginoso | Não relacionado ao sol; em palmas, plantas e unhas | Pés, mãos, leito ungueal |
| Melanoma desmoplásico | Raro; aspecto de cicatriz/fibrose | Cabeça e pescoço |
O melanoma acral é o tipo mais comum em pessoas de pele morena e negra. Surgiu na notícia pública quando o cantor Bob Marley faleceu da doença. Não está relacionado à exposição solar.
Como identificar: a regra do ABCDE
| Letra | O que observar | Exemplo de alerta |
|---|---|---|
| A — Assimetria | Uma metade diferente da outra | Pinta irregular |
| B — Borda | Bordas irregulares, recortadas | Contorno não uniforme |
| C — Cor | Múltiplas cores: marrom, preto, vermelho, branco, azul-acinzentado | Pinta com áreas de cores diferentes |
| D — Diâmetro | Maior que 6 mm | Tamanho de um borracha de lápis |
| E — Evolução | Mudança recente em qualquer aspecto | A pinta cresceu, mudou de cor ou sangra |
Sinal do "pato feio" (Ugly Duckling)
Outro método de identificação: a pinta suspeita se destaca das demais — é diferente de todas as outras pintas do indivíduo. Se uma pessoa tem muitas pintas marrons similares e uma é visivelmente diferente, essa merece atenção.
Fatores de risco
| Fator | Risco relativo |
|---|---|
| História de queimaduras graves (especialmente na infância) | 2–3x |
| Mais de 50 pintas comuns ou 5+ pintas atípicas | 3–6x |
| Pele clara, olhos azuis/verdes, cabelos ruivos/loiros | 2–4x |
| História familiar de melanoma (parente de 1º grau) | 2–3x |
| Mutação genética (CDKN2A) | Até 70% de risco vitalício |
| Imunossupressão (transplantados) | 3–4x |
| Bronzeamento artificial (câmaras) | 1,5–2x |
| Melanoma prévio | 8–10x risco de novo melanoma |
Estadiamento do melanoma
O estadiamento é determinado principalmente pela espessura de Breslow (profundidade de invasão em milímetros):
| Estágio | Breslow | Sobrevida em 5 anos |
|---|---|---|
| 0 (in situ) | Confidado à epiderme | ~99% |
| IA | ≤1 mm, sem ulceração | ~97% |
| IB | ≤1 mm com ulceração OU 1–2 mm sem ulceração | ~92% |
| IIA | 1–2 mm com ulceração OU 2–4 mm sem ulceração | ~81% |
| IIB | 2–4 mm com ulceração OU >4 mm sem ulceração | ~70% |
| IIC | >4 mm com ulceração | ~53% |
| III | Linfonodos regionais comprometidos | 30–70% (conforme carga tumoral) |
| IV | Metástases à distância | 15–50% (conforme resposta ao tratamento) |
Tratamento
Cirurgia
O tratamento inicial é sempre cirúrgico — remoção do melanoma com margem de segurança:
| Espessura | Margem recomendada |
|---|---|
| In situ | 0,5–1 cm |
| ≤1 mm | 1 cm |
| 1–2 mm | 1–2 cm |
| 2–4 mm | 2 cm |
| >4 mm | 2 cm |
Biópsia de linfonodo sentinela
Para melanomas com Breslow >0,8 mm (ou mais finos com características de risco), realiza-se a biópsia do linfonodo sentinela — o primeiro linfonodo que recebe a drenagem linfática da área do tumor. Se comprometido, indica que o melanoma pode ter se espalhado.
Tratamento adjuvante (após cirurgia, estágio IIB–III)
Para reduzir o risco de recidiva:
- Imunoterapia anti-PD-1 (pembrolizumabe, nivolumabe): padrão atual.
- Terapia-alvo (inibidores BRAF/MEK): para tumores com mutação BRAF.
Tratamento do melanoma metastático (estágio IV)
A última década trouxe uma revolução no tratamento do melanoma avançado:
| Tratamento | Mecanismo | Resultado |
|---|---|---|
| Anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe) | "Tira o freio" do sistema imunológico contra o tumor | Sobrevida em 5 anos: ~40% |
| Anti-CTLA-4 (ipilimumabe) | Ativa os linfócitos T | Em combinação com anti-PD-1: resposta ainda maior |
| Inibidores BRAF + MEK (dabrafenibe+trametinibe, etc.) | Bloqueia via de sinalização do tumor | Para melanomas BRAF V600 mutados (~50%) |
| Imunoterapia intralesional (T-VEC) | Vírus modificado injetado no tumor | Para metástases cutâneas |
Antes de 2011, a sobrevida em 5 anos do melanoma metastático era inferior a 10%. Com a imunoterapia, hoje chega a 30–50%.
Acompanhamento pós-tratamento
| Estágio | Frequência de consulta | Duração |
|---|---|---|
| 0–IA | Anual | 10 anos ou mais |
| IB–IIA | Semestral por 5 anos, depois anual | 10 anos |
| IIB–III | Trimestral no 1º ano, semestral depois | Vitalício |
| IV | A cada 2–3 meses | Vitalício |
Em todas as consultas: exame da pele total, palpação de linfonodos e, conforme o caso, exames de imagem.
Prevenção
- Protetor solar FPS 30+ diariamente, reaplicado a cada 2 horas.
- Evitar sol entre 10h e 16h.
- Roupas com proteção UV e chapéu de aba larga.
- Não usar câmaras de bronzeamento (a OMS classificou a radiação UV artificial como carcinógena classe 1).
- Autoexame mensal da pele com a regra do ABCDE.
- Consulta dermatológica anual se houver fatores de risco.
- Mapeamento de pintas (fotografia digital de corpo inteiro) para pessoas de alto risco.
O melanoma é um dos cânceres em que a detecção precoce faz a maior diferença entre cura e doença avançada. Se você notou uma pinta que mudou ou tem fatores de risco, a consulta com um oncologista ou dermatologista pode ser decisiva.
Perguntas frequentes
Melanoma é câncer de pele?
Sim, o melanoma é um tipo de câncer de pele. É o menos frequente (4% dos casos), mas o mais letal. Origina-se nos melanócitos, células que produzem o pigmento da pele.
Todo melanoma vem do sol?
Não. Embora a exposição solar seja o principal fator de risco, o melanoma acral (em palmas, plantas e unhas) não está relacionado ao sol. Pessoas de pele morena e negra também desenvolvem melanoma, frequentemente neste tipo.
Melanoma tem cura?
Sim, especialmente quando detectado cedo. Melanomas finos (estágio I) têm sobrevida em 5 anos próxima a 97%. Mesmo em estágio metastático, a imunoterapia mudou o panorama, com sobrevidas que antes pareciam impossíveis.
O melanoma dói?
Na fase inicial, geralmente não. O sinal de alerta é visual (mudança de cor, forma, tamanho), não a dor. Sangramento ou coceira podem ocorrer em lesões mais avançadas.
Quem tem muitas pintas tem mais risco de melanoma?
Sim. Ter mais de 50 pintas comuns ou 5 ou mais pintas atípicas (maiores, de cores variadas, bordas irregulares) aumenta o risco. Estas pessoas devem fazer mapeamento de pintas e acompanhamento dermatológico regular.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
