Dra. Nayara ZorteaOncologia Clínica · Santos/SP
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Melanoma: o tipo mais agressivo de câncer de pele

O melanoma representa 4% dos cânceres de pele, mas é o mais letal. Conheça os tipos, sinais de alerta (regra ABCDE), fatores de risco e os avanços no tratamento com imunoterapia.

Dra. Nayara Zortea Lima

Dra. Nayara Zortea Lima

CRM 154553-SP · RQE 81432

24 de julho de 2026

O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Origina-se nos melanócitos — as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Embora represente apenas cerca de 4% dos cânceres de pele, é responsável pela maioria das mortes por câncer de pele. A boa notícia: quando detectado precocemente, o melanoma tem taxa de cura superior a 95%. E mesmo em estágios avançados, os tratamentos atuais com imunoterapia transformaram o prognóstico.

O que é melanoma?

O melanoma é um tumor maligno que se desenvolve a partir dos melanócitos. Pode surgir em pele saudável, a partir de uma pinta (nevo) pré-existente, ou em áreas não expostas ao sol.

Diferente dos outros cânceres de pele (basocelular e espinocelular), o melanoma tem maior capacidade de invadir tecidos profundos e se espalhar para outros órgãos (metástases) se não for tratado precocemente.

Tipos de melanoma

Tipo Característica Local mais comum
Melanoma de extensão superficial Mais comum (70%); cresce horizontalmente antes de aprofundar Tronco (homens) e pernas (mulheres)
Melanoma nodular Cresce verticalmente desde o início; mais agressivo Tronco, cabeça e pescoço
Melanoma lentigo maligno Cresce lentamente; em áreas de exposição solar crônica Rosto de idosos
Melanoma acral lentiginoso Não relacionado ao sol; em palmas, plantas e unhas Pés, mãos, leito ungueal
Melanoma desmoplásico Raro; aspecto de cicatriz/fibrose Cabeça e pescoço

O melanoma acral é o tipo mais comum em pessoas de pele morena e negra. Surgiu na notícia pública quando o cantor Bob Marley faleceu da doença. Não está relacionado à exposição solar.

Como identificar: a regra do ABCDE

Letra O que observar Exemplo de alerta
A — Assimetria Uma metade diferente da outra Pinta irregular
B — Borda Bordas irregulares, recortadas Contorno não uniforme
C — Cor Múltiplas cores: marrom, preto, vermelho, branco, azul-acinzentado Pinta com áreas de cores diferentes
D — Diâmetro Maior que 6 mm Tamanho de um borracha de lápis
E — Evolução Mudança recente em qualquer aspecto A pinta cresceu, mudou de cor ou sangra

Sinal do "pato feio" (Ugly Duckling)

Outro método de identificação: a pinta suspeita se destaca das demais — é diferente de todas as outras pintas do indivíduo. Se uma pessoa tem muitas pintas marrons similares e uma é visivelmente diferente, essa merece atenção.

Fatores de risco

Fator Risco relativo
História de queimaduras graves (especialmente na infância) 2–3x
Mais de 50 pintas comuns ou 5+ pintas atípicas 3–6x
Pele clara, olhos azuis/verdes, cabelos ruivos/loiros 2–4x
História familiar de melanoma (parente de 1º grau) 2–3x
Mutação genética (CDKN2A) Até 70% de risco vitalício
Imunossupressão (transplantados) 3–4x
Bronzeamento artificial (câmaras) 1,5–2x
Melanoma prévio 8–10x risco de novo melanoma

Estadiamento do melanoma

O estadiamento é determinado principalmente pela espessura de Breslow (profundidade de invasão em milímetros):

Estágio Breslow Sobrevida em 5 anos
0 (in situ) Confidado à epiderme ~99%
IA ≤1 mm, sem ulceração ~97%
IB ≤1 mm com ulceração OU 1–2 mm sem ulceração ~92%
IIA 1–2 mm com ulceração OU 2–4 mm sem ulceração ~81%
IIB 2–4 mm com ulceração OU >4 mm sem ulceração ~70%
IIC >4 mm com ulceração ~53%
III Linfonodos regionais comprometidos 30–70% (conforme carga tumoral)
IV Metástases à distância 15–50% (conforme resposta ao tratamento)

Tratamento

Cirurgia

O tratamento inicial é sempre cirúrgico — remoção do melanoma com margem de segurança:

Espessura Margem recomendada
In situ 0,5–1 cm
≤1 mm 1 cm
1–2 mm 1–2 cm
2–4 mm 2 cm
>4 mm 2 cm

Biópsia de linfonodo sentinela

Para melanomas com Breslow >0,8 mm (ou mais finos com características de risco), realiza-se a biópsia do linfonodo sentinela — o primeiro linfonodo que recebe a drenagem linfática da área do tumor. Se comprometido, indica que o melanoma pode ter se espalhado.

Tratamento adjuvante (após cirurgia, estágio IIB–III)

Para reduzir o risco de recidiva:

  • Imunoterapia anti-PD-1 (pembrolizumabe, nivolumabe): padrão atual.
  • Terapia-alvo (inibidores BRAF/MEK): para tumores com mutação BRAF.

Tratamento do melanoma metastático (estágio IV)

A última década trouxe uma revolução no tratamento do melanoma avançado:

Tratamento Mecanismo Resultado
Anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe) "Tira o freio" do sistema imunológico contra o tumor Sobrevida em 5 anos: ~40%
Anti-CTLA-4 (ipilimumabe) Ativa os linfócitos T Em combinação com anti-PD-1: resposta ainda maior
Inibidores BRAF + MEK (dabrafenibe+trametinibe, etc.) Bloqueia via de sinalização do tumor Para melanomas BRAF V600 mutados (~50%)
Imunoterapia intralesional (T-VEC) Vírus modificado injetado no tumor Para metástases cutâneas

Antes de 2011, a sobrevida em 5 anos do melanoma metastático era inferior a 10%. Com a imunoterapia, hoje chega a 30–50%.

Acompanhamento pós-tratamento

Estágio Frequência de consulta Duração
0–IA Anual 10 anos ou mais
IB–IIA Semestral por 5 anos, depois anual 10 anos
IIB–III Trimestral no 1º ano, semestral depois Vitalício
IV A cada 2–3 meses Vitalício

Em todas as consultas: exame da pele total, palpação de linfonodos e, conforme o caso, exames de imagem.

Prevenção

  • Protetor solar FPS 30+ diariamente, reaplicado a cada 2 horas.
  • Evitar sol entre 10h e 16h.
  • Roupas com proteção UV e chapéu de aba larga.
  • Não usar câmaras de bronzeamento (a OMS classificou a radiação UV artificial como carcinógena classe 1).
  • Autoexame mensal da pele com a regra do ABCDE.
  • Consulta dermatológica anual se houver fatores de risco.
  • Mapeamento de pintas (fotografia digital de corpo inteiro) para pessoas de alto risco.

O melanoma é um dos cânceres em que a detecção precoce faz a maior diferença entre cura e doença avançada. Se você notou uma pinta que mudou ou tem fatores de risco, a consulta com um oncologista ou dermatologista pode ser decisiva.

Perguntas frequentes

Melanoma é câncer de pele?

Sim, o melanoma é um tipo de câncer de pele. É o menos frequente (4% dos casos), mas o mais letal. Origina-se nos melanócitos, células que produzem o pigmento da pele.

Todo melanoma vem do sol?

Não. Embora a exposição solar seja o principal fator de risco, o melanoma acral (em palmas, plantas e unhas) não está relacionado ao sol. Pessoas de pele morena e negra também desenvolvem melanoma, frequentemente neste tipo.

Melanoma tem cura?

Sim, especialmente quando detectado cedo. Melanomas finos (estágio I) têm sobrevida em 5 anos próxima a 97%. Mesmo em estágio metastático, a imunoterapia mudou o panorama, com sobrevidas que antes pareciam impossíveis.

O melanoma dói?

Na fase inicial, geralmente não. O sinal de alerta é visual (mudança de cor, forma, tamanho), não a dor. Sangramento ou coceira podem ocorrer em lesões mais avançadas.

Quem tem muitas pintas tem mais risco de melanoma?

Sim. Ter mais de 50 pintas comuns ou 5 ou mais pintas atípicas (maiores, de cores variadas, bordas irregulares) aumenta o risco. Estas pessoas devem fazer mapeamento de pintas e acompanhamento dermatológico regular.

Aviso importante

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.

Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica em Santos, SP. CRM 154553-SP, RQE 81432.

Sobre a autora

Dra. Nayara Zortea Lima

Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica

Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.

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