Como começa o câncer de pele? Sinais e sintomas
Como começa o câncer de pele? Conheça os sinais iniciais, as mudanças em manchas e pintas, a regra do ABCDE e quando procurar avaliação médica.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Como começa o câncer de pele? Na maioria das vezes, ele começa com uma lesão nova — mancha, pinta, nódulo ou ferida — ou com uma mudança persistente em algo que já existia. A lesão pode coçar, sangrar, crescer, descamar ou não cicatrizar. A aparência não confirma o diagnóstico, por isso uma alteração suspeita precisa ser examinada por um profissional.
O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil. Quando identificado e tratado precocemente, o câncer de pele não melanoma costuma ter alta chance de cura; já o melanoma exige atenção especial por seu maior potencial de disseminação.
Como começa o câncer de pele?
Os primeiros sinais podem ser sutis: uma ferida que volta a abrir, uma área áspera que persiste, um nódulo brilhante ou uma pinta que muda de cor, formato, tamanho ou textura. Lesões no rosto, no nariz e ao redor dos olhos merecem atenção porque essas áreas são muito expostas ao sol; veja também os tipos de câncer de pele no rosto.
Tipos de câncer de pele e seus sintomas
Existem dois grandes grupos: o câncer de pele não melanoma (mais comum) e o melanoma (menos frequente, mas com maior potencial de disseminação). Os sintomas e os tratamentos diferem entre eles.
Câncer de pele não melanoma
Compreende o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular e representa a maior parte dos diagnósticos de câncer de pele.
Carcinoma basocelular — sintomas:
| Sinal | Descrição |
|---|---|
| Nódulo perolado | Caroço brilhante, translúcido, com pequenos vasos visíveis na superfície |
| Ferida que não cicatriza | Lesão aberta que sangra, forma crosta e reabre ciclicamente |
| Mancha rosada | Área achatada, vermelho-rosada, descamativa, que pode confundir-se com eczema |
| Depressão central | Lesão com bordas elevadas e centro deprimido (aspecto de cratera) |
Carcinoma espinocelular — sintomas:
| Sinal | Descrição |
|---|---|
| Lesão endurecida | Nódulo ou placa firme, avermelhada, com superfície descamativa ou crostosa |
| Crescimento rápido | Lesão que aumenta visivelmente em semanas ou meses |
| Sangramento | Pode sangrar ao menor toque |
| Ferida crônica | Úlcera que não melhora após 4 semanas |
Melanoma
O melanoma se origina nos melanócitos (células produtoras de pigmento). Representa cerca de 5% dos cânceres de pele, mas é responsável pela maioria das mortes. A regra do ABCDE é a ferramenta principal de identificação.
A regra do ABCDE para melanoma
| Letra | O que observar | Preocupação |
|---|---|---|
| A — Assimetria | Uma metade da lesão não é igual à outra | Pintas assimétricas merecem avaliação |
| B — Borda | Bordas irregulares, recortadas ou mal definidas | Diferente do contorno liso de pintas benignas |
| C — Cor | Múltiplas cores numa mesma lesão (marrom, preto, vermelho, branco, azul) | Pintas de cor única são menos suspeitas |
| D — Diâmetro | Maior que 6 mm (tamanho de um lápis) | Lesões grandes têm maior risco |
| E — Evolução | Qualquer mudança recente: tamanho, forma, cor, elevação | O sinal mais importante de todos |
A regra do ABCDE não substitui a avaliação médica, mas ajuda a identificar lesões que precisam de investigação. Qualquer pinta que muda merece avaliação dermatológica ou oncológica.
Sintomas de câncer de pele que coça
Muitas pessoas perguntam se câncer de pele coça. A resposta é: pode coçar, mas nem sempre. A coceira (prurido) não é um sintoma específico de câncer de pele — é muito mais comum em condições benignas como alergias, eczema e secas. No entanto, uma lesão que coça persistentemente e também apresenta outras características (crescimento, mudança de cor, sangramento) deve ser avaliada.
Onde o câncer de pele aparece com mais frequência
| Local | Tipo mais comum | Observação |
|---|---|---|
| Rosto (nariz, bochechas, testa) | Basocelular | Área de maior exposição solar |
| Lábios e orelhas | Espinocelular | Frequentemente negligenciados na proteção solar |
| Couro cabeludo | Basocelular e espinocelular | Especialmente em pessoas calvas |
| Pescoço e mãos | Ambos | Exposição crônica |
| Tronco (costas) e pernas | Melanoma | Áreas com exposição intermitente e intensa |
| Pés, palmas e unhas | Melanoma acral | Menos relacionado ao sol; mais comum em pele morena/escura |
Fatores de risco
| Fator | Detalhe |
|---|---|
| Exposição solar | Principal fator, especialmente queimaduras na infância |
| Tipo de pele | Pele clara, olhos claros, cabelos loiros ou ruivos |
| Histórico de queimaduras | Especialmente na infância ou adolescência |
| Fototipo I e II | Pessoas que sempre se queimam e nunca bronzeiam |
| História familiar | Parente com melanoma aumenta o risco |
| Múltiplas pintas | Mais de 50 nevos aumenta o risco de melanoma |
| Imunossupressão | Transplantados e pacientes em tratamento imunossupressor |
| Bronzeamento artificial | Câmaras de bronzeamento aumentam o risco significativamente |
Quando procurar um médico
Procure avaliação se notar:
- Lesão nova que não existia antes e não desaparece em 4 semanas.
- Pinta que mudou de tamanho, cor, formato ou textura.
- Ferida que não cicatriza após um mês.
- Nódulo que sangra ou forma crosta repetidamente.
- Mancha que coça, dói ou arde persistentemente.
- Lesão com múltiplas cores ou bordas irregulares.
- Mancha escura em unha (faixa escura que se alarga).
O autoexame da pele deve ser feito a cada 2–3 meses, em local bem iluminado, observando todo o corpo (incluindo couro cabeludo, entre os dedos, plantas dos pés e genitais).
Prevenção
A maioria dos cânceres de pele pode ser prevenida com medidas simples:
- Protetor solar com FPS 30 ou mais, reaplicado a cada 2 horas.
- Roupas de proteção UV e chapéus de aba larga.
- Evitar sol entre 10h e 16h.
- Não usar câmaras de bronzeamento.
- Exame dermatológico anual para pessoas de risco.
- Proteção dos olhos com óculos com proteção UV.
A detecção precoce do câncer de pele é o fator mais importante para o sucesso do tratamento. Se você notou qualquer alteração na pele, agendar uma consulta é o caminho mais seguro para esclarecer a situação.
Perguntas frequentes
Como começa o câncer de pele?
Pode começar como uma lesão nova ou como uma mudança persistente em uma pinta, mancha, ferida ou área áspera. Coceira, sangramento, crescimento, descamação e falta de cicatrização são sinais que justificam avaliação, mas não confirmam câncer sozinhos.
Câncer de pele dói?
Na fase inicial, geralmente não dói. A dor pode surgir quando a lesão cresce, ulcera ou infecta. A ausência de dor não exclui câncer de pele.
Toda mancha escura na pele é câncer?
Não. A maioria das manchas e pintas é benigna. O que diferencia é a mudança: uma pinta que altera forma, cor, tamanho ou que surge repentinamente merece avaliação.
Câncer de pele coça?
Pode coçar em alguns casos, mas a coceira isolada não é um sinal específico de câncer. Lesões que coçam e também mudam de aparência devem ser investigadas.
Com que frequência devo examinar a pele?
Recomenda-se autoexame a cada 2–3 meses e consulta dermatológica anual para pessoas com fatores de risco. Pessoas com muitas pintas ou história familiar de melanoma podem precisar de acompanhamento mais frequente.
Câncer de pele dá metástase?
O carcinoma basocelular raramente metastiza. O espinocelular pode metastizar em casos avançados. O melanoma é o que tem maior potencial de metastização, por isso a detecção precoce é fundamental.
Fonte de referência
Uma lesão de pele precisa da avaliação certa
Mudanças em uma pinta ou lesão devem ser avaliadas por dermatologista. Quando existe diagnóstico de melanoma ou outro tumor que exige tratamento sistêmico, o oncologista clínico pode participar da discussão do cuidado.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
