Port-a-Cath: o que é, como é colocado e como cuidar
Port-a-Cath é um cateter implantado sob a pele para a quimioterapia. Entenda como é colocado, quanto tempo pode ficar, os cuidados e os riscos.

Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
O Port-a-Cath (também escrito Portocath) é um dispositivo pequeno, implantado sob a pele, que dá acesso seguro a uma veia grande para a aplicação de quimioterapia e de outros medicamentos na veia. Em linguagem médica, é um cateter venoso central totalmente implantado. Ele é colocado por um pequeno procedimento e pode ficar no corpo durante o tratamento, evitando punções repetidas nas veias do braço.
O que é o Port-a-Cath?
Segundo a American Cancer Society, o dispositivo tem duas partes: um reservatório, com um centro de borracha que se fecha sozinho após cada punção, e um cateter, um tubo fino que leva o medicamento até uma veia grande perto do coração. O reservatório fica logo abaixo da pele, na maioria das vezes na parte superior do peito, e aparece como um pequeno volume sob a pele.
A Rede D'Or São Luiz explica que o cateter costuma ficar na veia subclávia ou na jugular interna e que o aparelho serve para quimioterapia, antibióticos de longa duração e nutrição pela veia.
Para que serve o Port-a-Cath na quimioterapia?
A quimioterapia na veia pode exigir muitas aplicações ao longo de meses, e o uso repetido de agulhas em veias finas do braço pode machucá-las. O acesso implantado oferece um ponto fixo e confiável. De acordo com a American Cancer Society, ele também pode ser usado para outras terapias na veia, como imunoterapia e terapia-alvo, para hidratação e para coleta de sangue.
Nem todo paciente precisa dele. Quem indica é a equipe que acompanha o tratamento, levando em conta o esquema, a duração prevista e as condições das veias. Para entender como é a sessão em si, veja como é feita a quimioterapia.
Como o Port-a-Cath é colocado?
A American Cancer Society descreve a colocação como uma pequena cirurgia ambulatorial, que leva cerca de uma hora e, muitas vezes, permite o uso do dispositivo no mesmo dia. Em geral:
- usa-se anestesia local, com sedação leve; a anestesia geral é usada só ocasionalmente;
- um cirurgião ou radiologista faz dois cortes pequenos: um abaixo da clavícula, para formar o "bolso" do reservatório, e outro no pescoço, para passar o cateter até a veia;
- uma radiografia de tórax confirma se o cateter ficou na posição correta.
Quem faz o procedimento é uma equipe de cirurgia ou radiologia intervencionista. O oncologista clínico indica a necessidade do acesso e acompanha o tratamento, mas não realiza a colocação.
Como o Port-a-Cath é usado?
Para cada aplicação, um profissional de saúde treinado introduz uma agulha especial pela pele até o reservatório. A American Cancer Society informa que, antes da punção, pode-se aplicar um creme anestésico para reduzir o desconforto. A Rede D'Or acrescenta que a punção deve seguir técnica estéril rigorosa e que alguns pacientes sentem dor na punção, principalmente logo após o implante.
Terminada a sessão, a agulha é retirada e o dispositivo volta a ficar totalmente sob a pele, sem curativo permanente.
Quanto tempo o Port-a-Cath pode ficar?
Segundo a American Cancer Society, o dispositivo pode permanecer por semanas, meses ou até anos. Quanto tempo ele fica no seu caso depende da duração do tratamento e da avaliação da equipe, e a retirada também é um procedimento planejado por ela.
Mesmo sem uso, ele precisa de manutenção. A mesma fonte informa que, durante o tratamento, o cateter é lavado com soro após cada uso e, nas pausas, é acessado e lavado a cada 4 a 12 semanas, para evitar acúmulo de fibrina e coágulos. O intervalo exato é definido pelo serviço que acompanha você.
Quais cuidados são necessários com o Port-a-Cath?
Depois do implante, a orientação da American Cancer Society é manter os pontos de incisão secos. Com curativo à prova d'água, o banho costuma ser liberado de 1 a 2 dias depois, e, passados 7 a 14 dias, com a cicatrização completa, é possível tomar banho de imersão e nadar normalmente. Depois que a região cicatriza, a pessoa pode voltar às atividades habituais.
Alguns cuidados valem no dia a dia:
- siga as orientações do serviço que colocou o dispositivo sobre curativo e retorno;
- só permita punção por profissionais treinados;
- observe o local e não mexa na região de forma repetida;
- informe a equipe, em qualquer atendimento, que você tem o dispositivo.
Quais são os riscos e complicações do Port-a-Cath?
As complicações descritas pela American Cancer Society são coágulos, entupimento e infecção, além de falha, rachadura ou rompimento do dispositivo, com vazamento da infusão. A fonte aponta que elas são menos comuns do que com outros cateteres centrais, como o PICC.
A Rede D'Or detalha quatro situações:
| Complicação | O que pode acontecer |
|---|---|
| Infecção | Local ou na corrente sanguínea; o risco é maior em quem tem imunidade baixa |
| Obstrução | Por coágulo ou resíduo de medicamento; pode exigir tratamento para desobstruir ou troca |
| Trombose venosa | Pode causar dor e inchaço no braço |
| Deslocamento | Pode exigir reposicionamento guiado por imagem |
Quando procurar a equipe?
Qualquer mudança no local do dispositivo merece contato com a equipe, sem esperar a próxima consulta: dor que aumenta, vermelhidão, calor, secreção, inchaço no braço, no pescoço ou no rosto do lado do implante, ou febre. Durante a quimioterapia, a queda das defesas do organismo torna a febre um sinal que não deve ser adiado; entenda mais em neutropenia.
Cada serviço tem um canal para essas ocasiões. Confirme qual é antes de começar o tratamento e guarde o número em local de fácil acesso. Para uma visão geral do que esperar da quimioterapia, leia sobre os efeitos colaterais.
Perguntas frequentes
O que é Port-a-Cath?
É um cateter totalmente implantado sob a pele, formado por um reservatório e um tubo fino ligado a uma veia grande, usado para aplicar quimioterapia e outros medicamentos na veia.
Em qual veia vai o Portocath?
Segundo a Rede D'Or, o cateter costuma ficar na veia subclávia ou na jugular interna, perto do coração. A escolha do lado e da veia é feita por quem realiza o procedimento.
Quanto tempo dura o Portocath?
Pode ficar por semanas, meses ou anos, de acordo com a American Cancer Society. Depende do tratamento e da avaliação da equipe.
Colocar o Port-a-Cath dói?
O procedimento usa anestesia local, em geral com sedação leve. A punção para a quimioterapia pode causar algum desconforto, e há cremes anestésicos que ajudam.
Quem precisa de Port-a-Cath?
Quem fará quimioterapia por um período longo ou com medicamentos que exigem acesso seguro a uma veia grande. A indicação é individual e feita pela equipe médica.
Dá para tomar banho e viver normalmente com o Port-a-Cath?
Sim, depois da cicatrização. A American Cancer Society informa que, de 7 a 14 dias após o implante, é possível tomar banho normalmente e nadar.
Converse com uma oncologista
Se você ou alguém da família vai começar a quimioterapia e tem dúvidas sobre o acesso venoso, leve-as a um médico que conheça o caso. Para marcar uma avaliação, veja como agendar sua consulta, ligue para (13) 3222-3225 ou escreva pelo WhatsApp (55 13 3222-3225).
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual.
Dra. Nayara Zortea Lima, oncologista clínica (CRM 154553-SP, RQE 81432)
Fontes de referência
Quando procurar avaliação médica?
Informações gerais ajudam a preparar perguntas, mas não substituem uma avaliação individual. Conheça a consulta de oncologia clínica em Santos e entenda quando a telemedicina ou o atendimento presencial podem ser adequados.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Para diagnóstico, tratamento ou orientações personalizadas, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Autora: Dra. Nayara Zortea Lima
CRM 154553-SP · RQE 81432
Oncologista Clínica em Santos, SP

Sobre a autora
Dra. Nayara Zortea Lima
Oncologia Clínica / Cancerologia Clínica
Oncologista clínica em Santos/SP, com formação em Medicina pela Universidade Iguaçu e residências em Clínica Médica e Cancerologia Clínica no Hospital Ana Costa. Mais de 5.000 atendimentos realizados. Atendimento presencial e por telemedicina para todo o Brasil.
